O Projeto Tamar surgiu em 1980 como uma iniciativa pioneira de conservação de tartarugas marinhas no Brasil, e hoje é uma das atrações mais significativas para quem visita Florianópolis. Localizado na Barra da Lagoa, este projeto transformou a região em um centro de pesquisa e educação ambiental, atraindo turistas que desejam conhecer de perto o trabalho dedicado à proteção dessas espécies ameaçadas. Se você está planejando uma hospedagem em Florianópolis, ficar próximo ao Projeto Tamar é uma oportunidade única de combinar conforto e contato direto com a natureza.
A Barra da Lagoa se consolidou como um destino imprescindível para ecoturismo justamente porque reúne experiências autênticas: o Projeto Tamar, trilhas ecológicas, piscinas naturais e a tradicional pesca artesanal da tainha. A região preserva a cultura açoriana e oferece um ambiente acolhedor, longe do caos das praias mais movimentadas da ilha. Hospedando-se em uma pousada à beira-mar neste local, você tem acesso facilitado a essas atrações enquanto desfruta de tranquilidade e qualidade de vida.
Para viajantes que buscam férias autênticas em Floripa, a Barra da Lagoa representa o melhor do turismo de praia e natureza, com infraestrutura adequada e proximidade com os principais pontos de interesse da região leste.
O que é o Projeto TAMAR e qual sua missão principal
O Projeto TAMAR é um dos programas de conservação marinha mais reconhecidos do mundo e, sem dúvida, o maior e mais bem-sucedido programa de proteção às tartarugas marinhas da América Latina. Criado no Brasil, o projeto atua diretamente na identificação, monitoramento e proteção de ninhos, filhotes e adultos das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no litoral brasileiro. Sua missão central é garantir a sobrevivência dessas espécies, revertendo décadas de predação, caça ilegal e destruição de habitat.
Além da conservação biológica, o TAMAR incorpora uma dimensão social fundamental: integrar as comunidades costeiras — especialmente pescadores artesanais — como agentes ativos da proteção ambiental. Esse modelo híbrido, que une ciência, comunidade e turismo sustentável, tornou o projeto uma referência global em conservação participativa. Hoje, o TAMAR opera em mais de 1.100 km de praias brasileiras, mantém centros de visitantes em diferentes estados e já devolveu ao mar dezenas de milhões de filhotes de tartaruga.
Como surgiu o Projeto TAMAR: origem e contexto histórico
O cenário de ameaça às tartarugas marinhas no Brasil nos anos 1970
Nas décadas de 1960 e 1970, as tartarugas marinhas no Brasil enfrentavam uma pressão brutal. A caça para consumo da carne, a coleta sistemática de ovos nas praias, o uso do couro e do casco para fabricação de artigos de moda e a captura acidental em redes de pesca haviam reduzido drasticamente as populações dessas espécies. Praias que antes registravam milhares de desovas por temporada passaram a apresentar números alarmantemente baixos. O conhecimento científico sobre biologia e comportamento das tartarugas marinhas no país era escasso, e praticamente não havia legislação efetiva de proteção.
Nesse contexto, pesquisadores e ambientalistas brasileiros começaram a chamar atenção para a necessidade urgente de um programa estruturado de conservação. O Brasil, com seu extenso litoral tropical e subtropical, era — e ainda é — um dos países mais importantes do mundo para a reprodução dessas espécies. Protegê-las exigia não apenas vontade política, mas uma estratégia de campo capaz de operar em praias remotas e comunidades isoladas.
Os fundadores do Projeto TAMAR e o papel de Guy e Neca Marcovaldi
O Projeto TAMAR nasceu do esforço de um grupo de biólogos e pesquisadores ligados à SEMA (Secretaria Especial do Meio Ambiente) e ao IBAMA. Entre os nomes mais associados à criação e consolidação do projeto estão Guy Marcovaldi e Maria Ângela Marcovaldi — conhecida como Neca —, que se tornaram os principais líderes e porta-vozes do TAMAR ao longo de décadas. Guy, biólogo marinho, e Neca, também bióloga, dedicaram suas carreiras ao monitoramento das tartarugas e à expansão das bases do projeto pelo litoral brasileiro.
A contribuição do casal vai muito além da pesquisa científica. Eles foram fundamentais na articulação política para garantir recursos públicos, na construção de parcerias com comunidades locais e na criação do modelo de turismo educativo que hoje sustenta parte importante das operações do TAMAR. Neca Marcovaldi, em particular, é frequentemente citada como a principal força por trás da profissionalização e da expansão do projeto nas décadas seguintes.
O ano de 1980 e o início oficial das atividades do TAMAR
O Projeto TAMAR foi oficialmente criado em 1980, por iniciativa do governo federal brasileiro, por meio da então SEMA e, posteriormente, do IBAMA. Naquele ano, as primeiras equipes de campo foram a campo para monitorar praias de desova nos estados do Espírito Santo e da Bahia. O objetivo inicial era mapear a ocorrência das espécies, identificar as principais áreas de nidificação e estabelecer protocolos de proteção dos ninhos durante a temporada de desova.
A estrutura era precária: pesquisadores e voluntários dormiam em acampamentos improvisados, percorriam praias à noite à procura de fêmeas desovando e marcavam os ninhos para protegê-los de predadores humanos e animais. Mesmo com recursos limitados, os primeiros anos demonstraram que o modelo era viável e que as comunidades locais podiam ser aliadas, não adversárias, da conservação.
A parceria entre IBAMA e Fundação Pró-TAMAR: como se estruturou o projeto
O papel do governo federal e das instituições ambientais na criação do TAMAR
Desde sua origem, o TAMAR funcionou como um programa governamental vinculado ao órgão ambiental federal. Primeiro sob a SEMA e depois sob o IBAMA — criado em 1989 —, o projeto contou com financiamento público, estrutura institucional e respaldo legal para atuar nas praias brasileiras. Esse vínculo com o Estado foi essencial para dar ao TAMAR autoridade para fiscalizar, interditar praias durante a temporada de desova e aplicar normas de proteção às tartarugas.
O governo federal também viabilizou a construção das primeiras bases físicas do projeto, a contratação de pesquisadores e o estabelecimento de convênios com prefeituras e governos estaduais. Sem esse suporte institucional inicial, dificilmente o TAMAR teria conseguido escalar suas operações para o nível nacional que alcançou nas décadas seguintes.
A criação da Fundação Projeto TAMAR e sua consolidação jurídica
Para ampliar a capacidade de captação de recursos privados, estabelecer parcerias com empresas e internacionalizar suas ações, foi criada a Fundação Pró-TAMAR, uma organização não governamental sem fins lucrativos que passou a coexistir com o programa governamental. Essa estrutura dual — governo + ONG — permitiu ao TAMAR acessar recursos de patrocinadores corporativos, fundações internacionais e receitas geradas pelo turismo educativo nos centros de visitantes.
A Fundação Pró-TAMAR tornou-se responsável pela gestão comercial e comunicacional do projeto: a loja de produtos licenciados, os ingressos dos centros de visitantes, as campanhas de marketing e as parcerias com empresas privadas. Essa engenharia jurídica e financeira foi inovadora para a época e serviu de modelo para outros programas de conservação no Brasil e no exterior.
As primeiras bases e áreas de atuação do Projeto TAMAR no litoral brasileiro
Praia do Forte (BA): o primeiro e mais icônico Centro de Visitantes do TAMAR
A Praia do Forte, no litoral norte da Bahia, foi o local escolhido para sediar o primeiro e mais emblemático Centro de Visitantes do Projeto TAMAR. A escolha não foi aleatória: a região concentrava uma das maiores populações reprodutoras de tartaruga-de-couro e tartaruga-cabeçuda do Brasil. A base da Praia do Forte, inaugurada nos anos 1980, tornou-se o símbolo do projeto e até hoje é a unidade mais visitada, recebendo centenas de milhares de turistas por ano.
O centro conta com tanques onde filhotes e tartarugas em reabilitação podem ser observados de perto, além de exposições educativas sobre biologia, ameaças e conservação das espécies. A experiência de soltar filhotes no mar — oferecida em algumas épocas do ano — tornou-se um dos programas de ecoturismo mais procurados do Nordeste brasileiro.
Expansão para outros estados: Espírito Santo, Sergipe, Santa Catarina e mais
A partir da base baiana, o TAMAR expandiu rapidamente para outros estados. O Espírito Santo foi um dos primeiros a receber equipes permanentes, especialmente em Regência e Comboios, áreas críticas para a desova da tartaruga-gigante. Sergipe passou a sediar operações voltadas para a tartaruga-de-couro, espécie que desova em praias específicas do estado. No Sul do Brasil, Santa Catarina ganhou relevância como área de alimentação e, eventualmente, de monitoramento de encalhes.
Para quem visita a Barra da Lagoa em Florianópolis, o TAMAR é uma referência próxima e acessível. A região é conhecida pela presença de tartarugas marinhas nas águas ao redor da ilha, e o contato com essa realidade de conservação é parte da experiência de ecoturismo que atrai visitantes para a costa leste da Ilha de Santa Catarina. Quem planeja se hospedar na região e quer combinar praia com consciência ambiental pode conferir opções como a pousada beira-mar na Barra da Lagoa, ponto de partida ideal para explorar tanto o mar quanto as iniciativas de conservação da área.
O modelo inovador do TAMAR: conservação aliada ao desenvolvimento comunitário
Como o TAMAR envolveu pescadores e comunidades locais na proteção das tartarugas
Um dos aspectos mais revolucionários do Projeto TAMAR foi reconhecer que os pescadores artesanais — historicamente vistos como parte do problema — podiam se tornar a solução. Em vez de criminalizar as comunidades costeiras que coletavam ovos ou consumiam carne de tartaruga por subsistência, o TAMAR optou por um caminho diferente: oferecer emprego, capacitação e renda alternativa a esses pescadores, transformando-os em monitores, guias e guardiões das praias de desova.
Esse modelo gerou um ciclo virtuoso: as comunidades passaram a ter interesse econômico direto na sobrevivência das tartarugas, o turismo educativo cresceu, e a fiscalização informal — feita pelos próprios moradores — tornou-se muito mais eficiente do que qualquer ação governamental isolada. Hoje, centenas de famílias em todo o litoral brasileiro têm sua renda direta ou indiretamente vinculada ao TAMAR.
Lições do Projeto TAMAR para programas de extensão rural e socioambiental
A experiência do TAMAR é estudada em universidades e centros de pesquisa do mundo inteiro como um caso exemplar de conservação baseada em comunidades. As principais lições incluem: a importância de ouvir e respeitar o conhecimento local antes de impor protocolos científicos externos; a necessidade de oferecer alternativas econômicas concretas, não apenas discurso ambiental; e o valor da presença contínua e de longo prazo nas comunidades, construindo confiança ao longo de anos e não de campanhas pontuais.
Programas de conservação em outros países — da Costa Rica ao Sri Lanka — adotaram princípios similares ao modelo TAMAR, reconhecendo que a proteção da biodiversidade só é sustentável quando as populações humanas locais percebem benefícios reais e imediatos dessa proteção.
Principais conquistas do Projeto TAMAR ao longo das décadas
A marca de 40 milhões de tartarugas devolvidas ao mar
Os números do TAMAR são impressionantes. Ao longo de mais de quatro décadas de atuação, o projeto já protegeu mais de 40 milhões de filhotes de tartaruga que chegaram ao mar em segurança — filhotes que, sem a intervenção do programa, teriam sido predados, coletados ou mortos antes de atingir a água. Esse número representa uma reversão significativa na trajetória de declínio das populações, embora os pesquisadores sejam cautelosos ao lembrar que apenas uma fração muito pequena dos filhotes sobrevive até a idade adulta.
Além dos filhotes, o TAMAR monitora e trata tartarugas adultas feridas — muitas vítimas de redes de pesca, anzóis de espinhel ou colisões com embarcações. Os centros de reabilitação do projeto devolvem ao mar dezenas de adultos por ano após tratamento veterinário especializado.
As cinco espécies de tartarugas marinhas protegidas pelo TAMAR no Brasil
O Brasil abriga todas as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Atlântico, e o TAMAR trabalha com todas elas:
- Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta): a mais comum nas praias brasileiras, desova principalmente no Nordeste e Sudeste.
- Tartaruga-verde (Chelonia mydas): encontrada em áreas de alimentação por todo o litoral, incluindo Santa Catarina.
- Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea): a maior de todas, criticamente ameaçada, desova em Sergipe e na Bahia.
- Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata): associada a recifes de coral, ocorre principalmente no Nordeste.
- Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea): menor espécie, com desovas registradas em diferentes pontos do litoral.
O Projeto TAMAR hoje: centros de visitantes, educação ambiental e turismo sustentável
Onde ficam os principais centros do Projeto TAMAR no Brasil
Atualmente, o TAMAR mantém centros de visitantes e bases de pesquisa distribuídos por todo o litoral brasileiro. Os principais estão localizados em:
- Praia do Forte (BA): maior e mais visitado, referência nacional do projeto.
- Regência (ES): base histórica para monitoramento da tartaruga-gigante.
- Arembepe (BA): outro ponto importante no litoral baiano.
- Pirambu (SE): área crítica para a tartaruga-de-couro.
- Fernando de Noronha (PE): base em uma das áreas marinhas protegidas mais importantes do Brasil.
- Florianópolis (SC): o centro da Barra da Lagoa é o ponto de referência para o Sul do país.
Como visitar o Projeto TAMAR e contribuir com a conservação
Visitar um centro do TAMAR é uma das formas mais diretas de contribuir financeiramente com a conservação das tartarugas. A receita gerada pelos ingressos, pelas lojas de produtos licenciados e pelos programas de turismo educativo é reinvestida nas operações de campo e na manutenção das bases. Além da visita presencial, é possível apoiar o projeto adquirindo produtos da linha TAMAR — cujos royalties são revertidos para a conservação — ou participando de programas de adoção simbólica de tartarugas.
Para quem está planejando uma viagem a Florianópolis e quer incluir o TAMAR na programação, a Barra da Lagoa é o bairro mais estratégico para se hospedar. O centro local fica a poucos minutos a pé de algumas das melhores pousadas da região. Famílias que buscam combinar praia, natureza e educação ambiental encontrarão na Barra da Lagoa um roteiro completo — e podem conferir opções de hospedagem adequadas em posts como hospedagem em família ou, para casais que querem aliar romantismo e consciência ambiental, o pacote para casais em Florianópolis. Quem viaja com pets também tem opções na região — a pousada pet friendly na Barra da Lagoa é uma alternativa para não deixar o animal em casa.
O TAMAR também promove atividades educativas para escolas e grupos, com programas específicos para diferentes faixas etárias. Durante a temporada de desova — que vai aproximadamente de outubro a março no Sul e Sudeste — é possível acompanhar o monitoramento noturno das praias em alguns centros, uma experiência marcante para qualquer visitante.
FAQ
Em que ano foi fundado o Projeto TAMAR?
O Projeto TAMAR foi fundado em 1980, por iniciativa do governo federal brasileiro, por meio da Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA).
Quem criou o Projeto TAMAR?
O projeto foi criado por pesquisadores e gestores do órgão ambiental federal brasileiro. Guy Marcovaldi e Maria Ângela (Neca) Marcovaldi são os nomes mais associados à fundação e liderança do TAMAR ao longo de décadas.
O que significa a sigla TAMAR?
TAMAR é a abreviação de TARtarugas MARinhas, referência direta ao objeto de conservação do programa.
Qual foi a primeira base do Projeto TAMAR no Brasil?
As primeiras operações de campo ocorreram nas praias do Espírito Santo e da Bahia em 1980. O Centro de Visitantes da Praia do Forte (BA) tornou-se a base mais emblemática e é considerado o símbolo histórico do projeto.
Quais espécies de tartarugas o Projeto TAMAR protege?
O TAMAR protege as cinco espécies que ocorrem no litoral brasileiro: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) e tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea).
O Projeto TAMAR é público ou privado?
O TAMAR tem uma estrutura mista: é um programa do governo federal, executado em parceria com o IBAMA, e conta também com a Fundação Pró-TAMAR, uma ONG privada sem fins lucrativos responsável pela captação de recursos e gestão comercial.
Como o Projeto TAMAR se sustenta financeiramente?
O projeto se sustenta por meio de uma combinação de recursos públicos (governo federal e estadual), patrocínios de empresas privadas, receitas geradas pelos centros de visitantes (ingressos e lojas), royalties de produtos licenciados e apoio de fundações e organismos internacionais de conservação.