O Projeto TAMAR é o programa brasileiro de conservação das tartarugas marinhas e dos ambientes onde elas vivem. Funciona como rede de pesquisa, proteção de espécies ameaçadas e educação ambiental ao longo do litoral do país e em ilhas oceânicas. Seu objetivo principal é garantir a sobrevivência das tartarugas marinhas por meio do monitoramento de praias de desova, do resgate e reabilitação de animais feridos e de ações de conscientização.
O TAMAR tem bases em vários estados. Uma delas fica na Barra da Lagoa, em Florianópolis, e é aberta à visitação: ali o visitante conhece de perto o trabalho com as tartarugas que se alimentam no litoral catarinense e aprende por que a preservação marinha importa.
O que é o Projeto TAMAR?
Definição e origem do nome TAMAR
O Projeto TAMAR é um programa brasileiro de conservação das tartarugas marinhas, reconhecido internacionalmente como uma das iniciativas mais bem-sucedidas do mundo na proteção dessas espécies ameaçadas. O nome não homenageia uma pessoa ou um lugar: é a junção das sílabas iniciais de TArtarugas MARinhas, o que resume o foco da iniciativa. O nome simples e fácil de lembrar ajudou a consolidar a identidade do projeto junto ao público ao longo de mais de quatro décadas.
Quando e como o Projeto TAMAR foi criado: breve histórico
O Projeto TAMAR foi criado em 1980, numa época em que as tartarugas marinhas no Brasil estavam em situação grave. A caça, a coleta de ovos e a destruição das praias de desova tinham reduzido muito as populações. A iniciativa nasceu dentro do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), órgão que depois deu lugar ao IBAMA. Em 1988 foi criada a Fundação Pró-TAMAR, hoje Fundação Projeto TAMAR, entidade civil que passou a apoiar a gestão de recursos e as operações do projeto. Desde então, o TAMAR funciona em parceria entre o poder público, hoje representado pelo ICMBio, e a fundação.
Qual é o objetivo do Projeto TAMAR?
Missão principal: proteção e conservação das tartarugas marinhas no Brasil
A missão central do TAMAR é proteger as tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, tanto nas praias onde as fêmeas desovam quanto nas áreas do mar onde os animais se alimentam e crescem. Nas áreas de desova, isso envolve monitorar as praias na temporada reprodutiva, proteger os ninhos, transferir ovos em risco e acompanhar o nascimento dos filhotes. Nas áreas de alimentação, como o litoral de Santa Catarina, o foco é pesquisa, resgate de animais encalhados e redução da captura acidental na pesca. O objetivo não é só salvar indivíduos, mas recuperar as populações no longo prazo.
Objetivos secundários: pesquisa científica, educação ambiental e desenvolvimento comunitário
Além da conservação direta, o TAMAR atua em três frentes complementares. A pesquisa científica gera dados sobre biologia, comportamento, rotas migratórias e saúde das tartarugas, que alimentam políticas públicas e publicações acadêmicas. A educação ambiental chega a um grande público nos centros de visitantes, formando consciência sobre a biodiversidade marinha. Já o desenvolvimento comunitário envolve moradores das comunidades costeiras, inclusive antigos coletores de ovos e pescadores, como parceiros da conservação, gerando renda e pertencimento.
Como o Projeto TAMAR funciona na prática?
Áreas de atuação e bases espalhadas pelo litoral brasileiro
O TAMAR atua em uma grande extensão do litoral brasileiro, com bases em estados que vão de Santa Catarina ao Ceará, além de ilhas oceânicas como Fernando de Noronha, Atol das Rocas e Trindade. As bases funcionam como pontos de monitoramento, pesquisa e, em vários casos, visitação pública. Cada uma é adaptada à realidade local: algumas ficam em praias de desova intensa, no Nordeste e no Sudeste; outras, como a de Florianópolis, acompanham áreas de alimentação e crescimento dos animais no mar.
Monitoramento de ninhos e nascimento de filhotes
Na temporada de reprodução, que no continente vai aproximadamente de setembro a março, equipes do TAMAR percorrem as praias de desova para registrar as fêmeas, coletar dados e proteger os ninhos. Ovos em locais de risco, sujeitos a erosão, alagamento ou predação, podem ser transferidos para áreas mais seguras. A incubação dura cerca de dois meses, e depois os filhotes seguem para o mar. Todo o processo é registrado e alimenta um banco de dados que permite acompanhar a evolução das populações ao longo dos anos. Esse trabalho de desova acontece nas praias de reprodução; em Santa Catarina a desova é rara.
Envolvimento das comunidades pesqueiras locais na conservação
Um dos diferenciais do TAMAR é o envolvimento das comunidades costeiras. Moradores que antes coletavam ovos ou capturavam tartarugas passaram a trabalhar como agentes de campo, monitores e educadores. Isso reduziu a pressão sobre os animais e criou uma rede de vigilância espalhada pelo litoral. As comunidades também se beneficiam do turismo gerado pelos centros de visitantes, o que aproxima conservação e desenvolvimento local.
Quais espécies de tartarugas marinhas o Projeto TAMAR protege?
As cinco espécies encontradas no Brasil
O Brasil abriga cinco das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo, e todas fazem parte do trabalho do TAMAR:
- Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta): a principal espécie que desova no continente, com grande concentração no litoral da Bahia, de Sergipe e do Espírito Santo.
- Tartaruga-verde (Chelonia mydas): desova principalmente em ilhas oceânicas e é a espécie mais vista em áreas de alimentação ao longo da costa, inclusive em Santa Catarina.
- Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea): a maior de todas, podendo passar de meia tonelada. Está entre as mais ameaçadas no Brasil.
- Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata): associada a recifes tropicais e desova principalmente no Nordeste. Também está entre as mais ameaçadas.
- Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea): a menor das espécies presentes no Brasil, com desovas concentradas em Sergipe e no norte da Bahia.
O status de conservação dessas espécies é definido pela Lista Vermelha da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza), em escala global, e pela lista brasileira de fauna ameaçada, elaborada com base nas avaliações do ICMBio. Para a categoria atual de cada espécie, consulte essas fontes.
Resultados e impacto do Projeto TAMAR ao longo dos anos
Filhotes protegidos e recuperação das populações
Os resultados do TAMAR em mais de 40 anos de atuação são expressivos. O projeto já ajudou a proteger dezenas de milhões de filhotes e monitorou um número enorme de ninhos ao longo do litoral. Espécies como a tartaruga-cabeçuda mostram sinais de recuperação nas áreas acompanhadas, uma reversão importante da tendência de declínio observada antes da criação do projeto. Os números atualizados são divulgados no site oficial do TAMAR.
Contribuição para políticas públicas e normas de proteção
O TAMAR não atua só no campo: os dados que produz ajudam a orientar a legislação ambiental brasileira. O projeto contribuiu para normas que proíbem a captura e o comércio de tartarugas marinhas, para regras de pesca que reduzem a captura acidental e para a proteção de praias de desova, inclusive com controle de iluminação. Também participa da cooperação internacional sobre espécies migratórias, já que as tartarugas cruzam fronteiras ao longo da vida.
Como visitar o Projeto TAMAR e onde encontrar suas bases abertas ao público?
Principais centros de visitação: Praia do Forte (BA) e outras unidades
O centro de visitantes mais conhecido do TAMAR fica na Praia do Forte, no litoral norte da Bahia, e recebe grande público ao longo do ano. Outras unidades abertas à visitação incluem Fernando de Noronha (PE), Regência (ES), Ubatuba (SP) e Florianópolis (SC), onde a base fica na Barra da Lagoa, a poucos minutos do centrinho e da praia.
Se você está planejando a visita, vale conferir qual é o valor da entrada do Projeto Tamar com antecedência e confirmar valores e horários atualizados no site oficial do TAMAR, porque eles variam conforme a unidade e a temporada.
Como apoiar e participar do Projeto TAMAR?
Voluntariado e estágios: como funciona e quem pode participar
O TAMAR costuma abrir oportunidades de estágio e voluntariado, voltadas principalmente para estudantes e profissionais de biologia, oceanografia, veterinária e áreas ambientais. Os participantes podem atuar no monitoramento de praias, na coleta de dados e em atividades de educação ambiental. As vagas são limitadas e dependem da base e da temporada. Para quem quer atuar diretamente na conservação, vale entender como funciona o processo para trabalhar no Projeto Tamar, incluindo requisitos e formas de inscrição.
Formas de doação e parcerias institucionais
Qualquer pessoa pode apoiar o TAMAR pelo site oficial da Fundação Projeto TAMAR, que reúne as formas de doação. O projeto também vende produtos licenciados, como camisetas, acessórios e brinquedos, com renda revertida para a conservação. Empresas podem apoiar por meio de patrocínio e programas de responsabilidade socioambiental. Essa variedade de fontes de recursos é importante para a continuidade do projeto.
Perguntas frequentes sobre o Projeto TAMAR
O Projeto TAMAR é público ou privado?
O TAMAR funciona em parceria. A parte técnica e científica está ligada ao ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), órgão federal, enquanto a Fundação Projeto TAMAR, entidade privada sem fins lucrativos, cuida de recursos, centros de visitantes e programas com as comunidades. Para o público, as duas estruturas aparecem como um só projeto.
Qual é a diferença entre o Projeto TAMAR e a Fundação Projeto TAMAR?
O “Projeto TAMAR” é o programa de conservação em si, criado pelo governo federal em 1980. A Fundação, criada em 1988 com o nome de Fundação Pró-TAMAR, é a entidade privada que dá suporte operacional e financeiro ao projeto.
As tartarugas marinhas estão em risco de extinção no Brasil?
Sim, a situação ainda inspira cuidado. As espécies presentes no Brasil aparecem nas listas oficiais de fauna ameaçada, em diferentes categorias. Algumas populações se recuperaram graças ao trabalho do TAMAR, mas os animais seguem expostos à captura acidental na pesca, à poluição por plásticos, à ocupação das praias de desova e às mudanças climáticas.
O Projeto TAMAR é um zoológico ou aquário?
Não. O TAMAR é um programa de conservação e pesquisa. Os centros de visitantes têm tanques com tartarugas para fins educativos, mas o objetivo não é expor animais por entretenimento. Em geral, os animais mantidos nesses espaços estão em recuperação ou não podem voltar ao mar por limitações físicas.
Quantas bases o Projeto TAMAR possui no Brasil?
O TAMAR mantém bases em diversos estados do litoral e em ilhas oceânicas. Nem todas são abertas à visitação: algumas funcionam só como estações de pesquisa e monitoramento. A lista atualizada está no site oficial do projeto.
Como o Projeto TAMAR se sustenta financeiramente?
Os recursos vêm de várias fontes: parcerias com o governo federal, patrocínio de empresas, com destaque histórico para a Petrobras, receitas dos centros de visitantes, venda de produtos licenciados e doações. Essa diversidade ajuda a garantir a continuidade do trabalho.





