Quem pesquisa qual desses animais é protegido pelo Projeto Tamar, seja para uma prova, um trabalho escolar ou por curiosidade antes de uma viagem, encontra a resposta no próprio nome do projeto: TAMAR vem de TArtarugas MARinhas. O projeto existe para proteger as tartarugas marinhas que vivem, se alimentam ou desovam no litoral brasileiro.
Neste guia você vê quais são essas espécies, por que elas estão ameaçadas, como o trabalho de conservação funciona na prática e onde dá para conhecer esse trabalho de perto, inclusive em Florianópolis.
Quais animais o Projeto Tamar protege? A resposta direta
O Projeto Tamar protege as tartarugas marinhas. No Brasil ocorrem cinco das sete espécies existentes no mundo, e todas fazem parte do trabalho do projeto: tartaruga-de-couro, tartaruga-oliva, tartaruga-cabeçuda, tartaruga-verde e tartaruga-de-pente.
O projeto foi criado em 1980, no âmbito do antigo IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal), órgão que mais tarde deu origem ao IBAMA. Hoje o trabalho é conduzido em parceria entre o centro especializado do ICMBio dedicado às tartarugas marinhas e a Fundação Projeto Tamar, com bases espalhadas por vários estados do litoral, onde as equipes monitoram praias de desova e áreas de alimentação, resgatam animais feridos e fazem educação ambiental com comunidades costeiras e visitantes.
Em Florianópolis, a base do Tamar fica na Barra da Lagoa, no leste da ilha. Ela não é uma área de desova: o litoral catarinense funciona sobretudo como área de alimentação, principalmente de tartarugas-verdes jovens. Por isso o trabalho por lá envolve monitoramento, resgate e visitação educativa.
As 5 espécies de tartarugas marinhas protegidas pelo Projeto Tamar no Brasil
Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea): a maior de todas
A tartaruga-de-couro é a maior tartaruga do planeta e pode passar de 2 metros de comprimento e de 500 kg. Ao contrário das outras espécies, não tem casco rígido com placas: o dorso é coberto por uma pele grossa, parecida com couro, com cristas no sentido do comprimento. Alimenta-se quase só de águas-vivas e faz migrações enormes pelos oceanos. No Brasil, a desova regular se concentra no litoral norte do Espírito Santo, na região de Regência. É classificada como vulnerável pela IUCN no nível global, mas a população do Atlântico Sul Ocidental é considerada criticamente ameaçada.
Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea): a menor das cinco
A tartaruga-oliva é a menor das espécies que ocorrem no Brasil e recebe esse nome pela cor esverdeada do casco. No Brasil, a principal área de desova fica no litoral de Sergipe e do norte da Bahia. Em outros países ela é famosa pelas arribadas, quando milhares de fêmeas desovam ao mesmo tempo na mesma praia, mas esse fenômeno não acontece no litoral brasileiro, onde as fêmeas desovam de forma isolada. É classificada como vulnerável pela IUCN, sobretudo por causa da captura acidental em redes de pesca.
Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta): a mais comum nas praias de desova
A tartaruga-cabeçuda é a espécie com mais ninhos registrados no continente brasileiro, especialmente no norte da Bahia, em Sergipe, no Espírito Santo e no norte do Rio de Janeiro. O nome vem da cabeça grande, com mandíbulas fortes que trituram moluscos, crustáceos e ouriços. Adultos costumam passar de 100 kg. A espécie é classificada como vulnerável pela IUCN no nível global, e no Brasil o número de ninhos cresceu ao longo das décadas de monitoramento.
Tartaruga-verde (Chelonia mydas): a mais vista no litoral sul
A tartaruga-verde é a espécie mais fácil de encontrar em áreas de alimentação ao longo da costa, inclusive em Santa Catarina. O nome vem da cor esverdeada da gordura sob o casco, não do casco em si. Os adultos são herbívoros, comem algas e plantas marinhas, e podem passar de 150 kg. No Brasil, a desova acontece principalmente nas ilhas oceânicas, como a Ilha da Trindade, o Atol das Rocas e Fernando de Noronha. É classificada como em perigo pela IUCN.
Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata): a mais ameaçada
A tartaruga-de-pente tem bico estreito e curvo e placas do casco sobrepostas, que no passado foram muito exploradas para fazer pentes e outros objetos, origem do nome popular. É a espécie criticamente ameaçada entre as cinco que ocorrem no Brasil. Alimenta-se principalmente de esponjas e tem papel importante nos ambientes recifais. No país, desova sobretudo no litoral norte da Bahia, em Sergipe e no Rio Grande do Norte.
Por que essas espécies precisam de proteção? Ameaças e status
Principais ameaças: pesca acidental, poluição e ocupação das praias
As tartarugas marinhas enfrentam várias pressões ao mesmo tempo, em diferentes fases da vida:
- Captura acidental: redes e anzóis de pesca prendem tartarugas que, sem conseguir subir para respirar, morrem afogadas. É uma das principais causas de morte de animais jovens e adultos.
- Lixo plástico: sacolas e outros plásticos são confundidos com alimento e ingeridos, causando obstrução e morte.
- Ocupação e iluminação das praias de desova: construções e luz artificial atrapalham as fêmeas na hora de desovar e desorientam os filhotes que procuram o mar depois de nascer.
- Predação de ninhos: cães e outros animais podem destruir ovos e filhotes em praias sem monitoramento.
- Colisão com embarcações: cascos e hélices de barcos causam ferimentos graves em áreas com muito tráfego.
- Mudanças climáticas: a temperatura da areia define o sexo dos filhotes (areia mais quente gera mais fêmeas), e a elevação do mar pode alagar ninhos.
Classificação na Lista Vermelha da IUCN e legislação brasileira
No Brasil, as cinco espécies constam na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção. Na Lista Vermelha global da IUCN, a tartaruga-de-pente aparece como criticamente ameaçada (CR); a tartaruga-verde, como em perigo (EN); e a tartaruga-cabeçuda, a tartaruga-de-couro e a tartaruga-oliva, como vulneráveis (VU). Matar, capturar, vender ou perturbar esses animais e seus ninhos é crime ambiental previsto na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998).
Como o Projeto Tamar protege as tartarugas marinhas na prática
Monitoramento de praias e proteção de ninhos
Durante a temporada reprodutiva, que no continente vai aproximadamente da primavera ao fim do verão, equipes do Tamar percorrem as praias de desova para identificar rastros de fêmeas, localizar ninhos e registrar dados. Ninhos em locais de risco podem ser transferidos para áreas mais seguras ou protegidos. A eclosão é acompanhada, e os dados coletados alimentam pesquisas sobre populações, fidelidade às praias e rotas migratórias.
Centros de visitantes: onde ver o trabalho do Tamar
O Projeto Tamar mantém centros de visitantes em vários pontos do litoral brasileiro. Alguns dos mais conhecidos:
- Praia do Forte (BA): o centro mais conhecido do país, com tanques e exposições sobre biologia e conservação das tartarugas.
- Pirambu (SE): base importante para a tartaruga-oliva.
- Regência (ES): referência na proteção da tartaruga-de-couro, que desova no litoral norte capixaba.
- Fernando de Noronha (PE): ilha oceânica com desova e alimentação de tartarugas-verdes.
- Barra da Lagoa, Florianópolis (SC): base voltada a áreas de alimentação, resgate e educação ambiental, aberta à visitação. Antes de ir, confira dias, horários e valores no site oficial do Tamar.
Comunidades pesqueiras na conservação
Uma das marcas do Tamar foi aproximar pescadores e moradores do trabalho de conservação. O projeto envolve gente das comunidades costeiras em funções como monitoramento de praias e educação ambiental, e trabalha com pescadores para reduzir a captura acidental e orientar a soltura de tartarugas presas em redes. Esse modelo, que une conservação, renda local e turismo, é apontado como referência.
Resultados do Projeto Tamar na conservação das tartarugas
Décadas de monitoramento
Desde 1980, o Tamar acumulou um grande banco de dados sobre tartarugas marinhas no Brasil e ajudou milhões de filhotes a chegar ao mar. As bases do projeto estão em diferentes estados do litoral e nas ilhas oceânicas, e os centros de visitantes recebem estudantes e turistas de todo o país. Para números atualizados, a fonte segura é o site oficial do Tamar.
Recuperação das populações
O resultado mais concreto é o aumento do número de ninhos de algumas espécies ao longo das décadas de proteção, com destaque para a tartaruga-cabeçuda. Isso mostra que a conservação ativa funciona quando os ninhos são protegidos e a captura acidental diminui. Como as tartarugas marinhas levam muitos anos para chegar à idade reprodutiva, esse efeito só aparece no longo prazo, e os riscos continuam.
Visitando o Tamar em Florianópolis
Quem viaja para Florianópolis pode visitar a base do Tamar na Barra da Lagoa e combinar o passeio com o canal, a ponte pênsil e o núcleo pesqueiro açoriano da região. Se for organizar a hospedagem, o blog tem dicas sobre hospedagem pé na areia na Barra da Lagoa, sobre pousada beira-mar na Barra da Lagoa, sobre hospedagem para família em Florianópolis e sobre onde se hospedar em Florianópolis para curtir praia e sossego.
Perguntas frequentes sobre o Projeto Tamar e as tartarugas marinhas
Qual animal é protegido pelo Projeto Tamar?
As tartarugas marinhas. No Brasil são cinco espécies: tartaruga-de-couro, tartaruga-oliva, tartaruga-cabeçuda, tartaruga-verde e tartaruga-de-pente.
O Projeto Tamar protege só tartarugas marinhas?
O foco são as tartarugas marinhas. Ao proteger praias e ambientes costeiros, porém, o trabalho beneficia indiretamente outras espécies que dividem esses espaços.
Quantas espécies de tartarugas marinhas existem no Brasil?
Das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo, cinco ocorrem no Brasil, e todas são protegidas pelo Projeto Tamar.
As tartarugas marinhas estão ameaçadas de extinção no Brasil?
Sim, as cinco espécies estão na lista nacional de ameaçadas, em graus diferentes. A tartaruga-de-pente é a mais crítica. O trabalho de conservação ajudou algumas populações a se recuperar, mas os riscos persistem.
Tartarugas desovam em Florianópolis?
A desova em Santa Catarina é rara. O litoral catarinense é importante como área de alimentação, principalmente para tartarugas-verdes jovens, e é esse o foco da base do Tamar na Barra da Lagoa.
Como o Projeto Tamar surgiu e quem o mantém?
O Tamar foi criado em 1980, no antigo IBDF, depois que pesquisadores identificaram o risco de extinção das tartarugas marinhas no Brasil. Hoje o trabalho é feito em parceria entre o ICMBio e a Fundação Projeto Tamar, com apoio de patrocinadores e da venda de produtos nos centros de visitantes.





