O Projeto Tamar é uma das iniciativas de conservação marinha mais importantes do Brasil, e sua presença em Florianópolis, especialmente na Barra da Lagoa, transforma a região em um destino imperdível para quem deseja aprender como o projeto tamar protege as tartarugas. A organização trabalha há décadas com pesquisa, educação ambiental e proteção de ninhos, garantindo que espécies ameaçadas de extinção tenham chance de sobreviver e prosperar nos oceanos.
Hospedando-se na Pousada Estação Sol e Lua, você fica a poucos passos do centro de visitação do Tamar, onde é possível conhecer de perto o trabalho realizado com tartarugas marinhas. O projeto protege as tartarugas através de monitoramento constante das praias, resgate de filhotes, reabilitação de animais feridos e programas de conscientização que envolvem a comunidade local e turistas. Durante sua estadia, você terá a oportunidade de compreender os desafios enfrentados por esses animais e como pequenas ações fazem diferença na sua preservação.
A experiência de estar próximo ao Tamar enquanto desfruta do conforto e da tranquilidade da Barra da Lagoa cria uma conexão única entre turismo, educação ambiental e responsabilidade com a natureza.
O que é o Projeto TAMAR e qual é sua missão de proteção às tartarugas marinhas
O Projeto TAMAR — cujo nome vem da contração de TArtarugas MARinhas — é o maior e mais longevo programa de conservação de tartarugas marinhas do mundo. Fundado em 1980 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e hoje cogerido pela Fundação Pró-TAMAR em parceria com o ICMBio, o projeto nasceu em um momento crítico: todas as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil estavam ameaçadas de extinção, vítimas da caça predatória, da captura acidental em redes de pesca e da destruição sistemática dos ninhos nas praias.
A missão central do TAMAR é proteger as tartarugas marinhas em todo o ciclo de vida, desde o momento em que a fêmea adulta sai do mar para desovar até o instante em que os filhotes alcançam o oceano. Para isso, o projeto combina ciência, educação ambiental, geração de renda para comunidades costeiras e turismo sustentável — um modelo que se tornou referência internacional e já foi replicado em outros países.
Ao longo de mais de quatro décadas, o TAMAR monitorou mais de 1.000 quilômetros de praias de desova, protegeu mais de 40 milhões de filhotes e transformou pescadores que antes caçavam tartarugas em guardiões ativos da espécie. Essa virada só foi possível porque o projeto entendeu que conservação sem desenvolvimento comunitário é insustentável a longo prazo.
Como o Projeto TAMAR protege as tartarugas marinhas no Brasil
A atuação do TAMAR é multidimensional e integra campo, laboratório, comunicação e política pública. No nível operacional, o trabalho se organiza em três frentes principais que cobrem diferentes fases da vida das tartarugas.
Monitoramento e proteção dos ninhos durante a temporada de desovas
Entre outubro e março, equipes de biólogos e agentes comunitários percorrem as praias monitoradas todas as noites, identificando rastros de fêmeas que saíram do mar para desovar. Quando um ninho é localizado, os técnicos registram a espécie, contam os ovos, marcam a posição exata com GPS e avaliam se o local é seguro. Ninhos em áreas de risco — sujeitos a inundação pela maré, erosão ou intensa movimentação humana — são relocados para cercados de proteção nas próprias praias, onde a incubação ocorre em condições controladas.
Cada ninho recebe uma etiqueta de identificação e é monitorado durante todo o período de incubação, que dura entre 45 e 70 dias dependendo da espécie e da temperatura da areia. Após a eclosão, os técnicos registram a taxa de sucesso, coletam dados biométricos e acompanham a corrida dos filhotes em direção ao mar. Esses dados alimentam bancos científicos que permitem entender tendências populacionais ao longo de décadas.
Proteção das fêmeas adultas e dos filhotes recém-nascidos nas praias
Fêmeas adultas de tartarugas marinhas retornam à mesma praia onde nasceram para desovar — um comportamento chamado filopatria. Isso as torna altamente vulneráveis à perturbação humana durante o processo de desova, que pode durar mais de uma hora. Luz artificial, barulho e presença de pessoas podem fazer a fêmea abortar a desova e retornar ao mar sem depositar os ovos.
Para minimizar esse impacto, o TAMAR trabalha com prefeituras e estabelecimentos comerciais para reduzir a iluminação artificial nas praias de desova durante a temporada reprodutiva. Além disso, as equipes orientam moradores e turistas sobre comportamentos adequados: manter distância, não usar lanternas brancas, não fotografar com flash e jamais tocar os animais. Os filhotes recém-eclodidos, por sua vez, são particularmente vulneráveis à desorientação causada pela luz artificial, que os atrai para longe do mar — por isso o controle luminoso é uma das medidas mais eficazes de proteção.
Atuação em áreas marinhas e parceria com a Marinha do Brasil
A proteção das tartarugas não se limita às praias. Em ambiente marinho, o TAMAR atua em parceria com a Marinha do Brasil, a Petrobras e frotas pesqueiras para reduzir a captura acidental — uma das principais causas de mortalidade de tartarugas adultas. O programa de marcação com anilhas metálicas e transmissores de satélite permite rastrear os deslocamentos migratórios dos animais, identificar rotas críticas e propor medidas de gestão pesqueira que minimizem o conflito entre a atividade econômica e a conservação.
Tartarugas encalhadas vivas são resgatadas, tratadas nos centros de reabilitação do TAMAR e, quando recuperadas, soltas com transmissores para monitoramento. Esse trabalho de reabilitação gerou conhecimento científico valioso sobre doenças, parasitas e impactos da poluição plástica nos animais.
Onde o Projeto TAMAR atua: bases, centros de visitantes e áreas prioritárias
O TAMAR está presente em 25 bases distribuídas por nove estados brasileiros, cobrindo o litoral do Espírito Santo até o Rio Grande do Norte, além de arquipélagos oceânicos como Fernando de Noronha e Atol das Rocas. Cada base tem características próprias determinadas pelas espécies presentes, pela intensidade de desova e pelo contexto socioeconômico da comunidade local.
Fernando de Noronha: proteção da primeira geração de tartarugas marinhas
Fernando de Noronha abriga uma das bases mais emblemáticas do TAMAR. O arquipélago é área de alimentação e reprodução de tartarugas-verdes (Chelonia mydas) e tartarugas-de-pente (Eretmochelys imbricata), e foi uma das primeiras regiões monitoradas pelo projeto, ainda nos anos 1980. As tartarugas que hoje desovam em Noronha pertencem literalmente à primeira geração protegida pelo TAMAR — animais que nasceram nas praias monitoradas décadas atrás e retornaram para reproduzir. É a prova mais concreta do sucesso do programa de longo prazo.
Centro de visitantes de Florianópolis e outras bases pelo litoral brasileiro
Em Florianópolis, o TAMAR mantém um centro de visitantes na Barra da Lagoa, um dos pontos turísticos mais procurados da cidade e vizinho direto de pousadas como a Pousada Estação Sol e Lua, à beira-mar na Barra da Lagoa. O centro recebe visitantes durante todo o ano, com tanques de exibição, exposições interativas e programação educativa. Para quem está planejando uma viagem à região, a visita ao TAMAR é uma das experiências mais completas disponíveis — especialmente para famílias com crianças.
Outras bases relevantes incluem Regência (ES), principal área de desova da tartaruga-de-couro no Brasil; Praia do Forte (BA), sede histórica do projeto; Almofala (CE) e Tibau do Sul (RN), no Nordeste. Cada uma dessas localidades combina pesquisa científica, educação ambiental e turismo de base comunitária.
Temporada reprodutiva: como funciona e quantos ninhos são protegidos por ano
A temporada de desovas das tartarugas marinhas no Brasil começa em outubro e se estende até março, com pico entre novembro e janeiro. Esse período coincide com o verão austral, quando a temperatura da areia favorece a incubação dos ovos. A duração exata varia conforme a espécie: a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta) tem temporada mais concentrada, enquanto a tartaruga-verde pode desovar ao longo de todo o verão.
Durante a temporada, uma única fêmea pode realizar entre 2 e 8 desovas na mesma praia, com intervalos de aproximadamente 15 dias entre cada uma. Cada ninho contém em média 100 a 130 ovos. O TAMAR protege atualmente cerca de 1.200 quilômetros de praias e registra dezenas de milhares de ninhos por temporada nas áreas monitoradas.
45 temporadas de conservação: resultados e números históricos do Projeto TAMAR
Ao completar 45 temporadas de atuação contínua, o TAMAR acumula resultados que transformaram o cenário de conservação das tartarugas marinhas no Brasil. Os números mais expressivos incluem:
- Mais de 40 milhões de filhotes devolvidos ao mar desde 1980
- Monitoramento de mais de 1.000 quilômetros de praias de desova
- Marcação e acompanhamento de mais de 300.000 tartarugas
- Recuperação populacional comprovada da tartaruga-cabeçuda no litoral do Espírito Santo
- Geração de renda para mais de 1.500 famílias de pescadores artesanais
Esses resultados consolidaram o TAMAR como caso de sucesso em conservação integrada, reconhecido pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) e por organismos internacionais como modelo replicável para outros países tropicais.
Educação ambiental e engajamento comunitário como estratégias de conservação
Um dos pilares mais inovadores do TAMAR é a compreensão de que não há conservação duradoura sem o envolvimento das comunidades que vivem nas áreas protegidas. Desde o início, o projeto apostou em transformar antigos caçadores de tartarugas em agentes de conservação, oferecendo emprego, capacitação técnica e reconhecimento social. Hoje, boa parte das equipes de campo é formada por moradores locais que conhecem profundamente o território e têm interesse direto na preservação dos recursos naturais.
Experiências educativas que aproximam crianças e comunidades da conservação
Os centros de visitantes do TAMAR recebem anualmente mais de 500.000 pessoas, com programação especialmente voltada para escolas e grupos de crianças. As atividades incluem visitas guiadas aos tanques de exibição, oficinas sobre ecologia marinha, jogos interativos e, na temporada de desovas, a oportunidade de acompanhar a eclosão de ninhos e a corrida dos filhotes ao mar — uma experiência que marca profundamente quem participa e cria vínculos emocionais duradouros com a causa da conservação.
Nas comunidades pesqueiras, o TAMAR promove reuniões regulares, distribui material educativo e capacita professores para incorporar temas de conservação marinha no currículo escolar. Essa abordagem de longo prazo garante que o conhecimento sobre a importância das tartarugas seja transmitido entre gerações.
Campanhas culturais e artistas que apoiam a proteção das tartarugas marinhas
O TAMAR soube usar a cultura popular como ferramenta de conservação. Ao longo dos anos, o projeto estabeleceu parcerias com artistas plásticos, músicos e designers que criaram obras, campanhas e produtos licenciados com a identidade visual das tartarugas. A linha de produtos TAMAR — que inclui camisetas, acessórios e artesanato produzido pelas comunidades — gera receita diretamente revertida para as atividades de conservação e se tornou uma das marcas ambientais mais reconhecidas do Brasil.
Campanhas de comunicação em datas estratégicas, como o Dia Mundial do Meio Ambiente e a temporada de desovas, ampliam o alcance da mensagem e engajam públicos urbanos que não têm contato direto com as praias de desova.
Como o turismo sustentável nos centros TAMAR contribui para a preservação das tartarugas
O turismo é uma das principais fontes de financiamento autônomo do TAMAR. A venda de ingressos, produtos e o comércio nos centros de visitantes geram receita que financia diretamente pesquisa, monitoramento e salários das equipes de campo. Esse modelo de turismo com propósito transforma cada visitante em um contribuinte ativo para a conservação — sem depender exclusivamente de recursos governamentais ou doações.
Para os destinos onde o TAMAR está presente, o impacto vai além da conservação ambiental. Em Praia do Forte (BA) e na Barra da Lagoa (SC), por exemplo, o centro de visitantes é um dos principais atrativos turísticos da região, gerando fluxo de visitantes que beneficia toda a cadeia local — restaurantes, pousadas, artesãos e guias de turismo. Quem visita Florianópolis e se hospeda na região da Barra da Lagoa tem a oportunidade única de combinar praia, gastronomia e uma experiência de ecoturismo genuíno a poucos minutos de distância. Para famílias que buscam hospedagem na Barra da Lagoa com crianças, a proximidade com o centro TAMAR é um diferencial significativo.
O turismo responsável nas bases do TAMAR também educa os visitantes sobre comportamentos adequados nas praias — como evitar iluminação artificial durante a temporada de desovas, não perturbar animais marinhos e descartar lixo corretamente. Essa conscientização se multiplica quando os turistas voltam para suas cidades e compartilham o que aprenderam.
Como a sociedade pode apoiar o Projeto TAMAR na proteção das tartarugas marinhas
O apoio ao TAMAR pode acontecer de diversas formas, acessíveis a qualquer pessoa independentemente de onde mora:
- Visitar os centros de visitantes: a compra de ingressos e produtos nas lojas oficiais financia diretamente as atividades de conservação.
- Adotar uma tartaruga: o programa de adoção simbólica permite que pessoas físicas e empresas contribuam mensalmente com valores a partir de valores acessíveis, recebendo atualizações sobre o animal “adotado”.
- Consumir produtos licenciados: a linha de produtos TAMAR está disponível nas lojas dos centros e online, com renda revertida para o projeto.
- Reportar encalhes: tartarugas encalhadas na praia devem ser reportadas imediatamente ao TAMAR pelo telefone 0800-061-9898, disponível 24 horas.
- Praticar turismo responsável: nas praias de desova, respeitar as sinalizações, evitar iluminação artificial e não perturbar os animais são atitudes simples com grande impacto.
- Compartilhar informação: divulgar o trabalho do TAMAR nas redes sociais amplifica o alcance da causa e atrai novos apoiadores.
Para turistas que planejam visitar Florianópolis, combinar a experiência do TAMAR com uma estadia na Barra da Lagoa é uma das formas mais completas de apoiar a conservação enquanto aproveita uma das praias mais bonitas de Santa Catarina. Quem busca hospedagem em Florianópolis com praia e sossego encontra na região exatamente esse equilíbrio entre natureza preservada e conforto.
FAQ
Quais espécies de tartarugas marinhas o Projeto TAMAR protege?
O TAMAR protege as cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil: a tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), a tartaruga-verde (Chelonia mydas), a tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea), a tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) e a tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea). Todas estão classificadas como ameaçadas ou criticamente ameaçadas de extinção nas listas vermelhas nacionais e internacionais.
Em quantos estados brasileiros o Projeto TAMAR está presente?
O TAMAR atua em nove estados brasileiros — Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Santa Catarina e Rio de Janeiro — além dos territórios federais de Fernando de Noronha e Atol das Rocas. São 25 bases distribuídas ao longo do litoral, cobrindo as principais áreas de desova e alimentação das tartarugas marinhas no país.
Quando começa a temporada de desovas das tartarugas marinhas no Brasil?
A temporada de desovas começa em outubro e vai até março, com pico entre novembro e janeiro. Esse período coincide com o verão no hemisfério sul, quando as temperaturas da areia são ideais para a incubação dos ovos. Em Florianópolis, a temporada de desovas coincide com a alta temporada turística, o que torna a visita ao centro TAMAR da Barra da Lagoa ainda mais especial para quem está na região. Para quem planeja viajar nesse período, vale conferir informações sobre diárias de pousada em Florianópolis na alta temporada.
Como o Projeto TAMAR consegue recursos financeiros para suas atividades?
O TAMAR tem um modelo de financiamento diversificado que combina recursos públicos do ICMBio, patrocínio corporativo (com destaque histórico para a Petrobras), receita própria gerada pelos centros de visitantes (ingressos, loja, restaurante), programa de adoção de tartarugas, licenciamento da marca e doações de pessoas físicas. Esse modelo híbrido garante maior resiliência financeira e reduz a dependência de uma única fonte de recursos.
É possível ser voluntário ou visitar as bases do Projeto TAMAR?
Sim. Os centros de visitantes do TAMAR são abertos ao público durante todo o ano, com horários e ingressos disponíveis no site oficial do projeto. O voluntariado é possível em algumas bases, especialmente durante a temporada de desovas, mediante cadastro prévio e seleção. Para quem visita Florianópolis, o centro da Barra da Lagoa é de fácil acesso e pode ser combinado com outras atrações da região, como as piscinas naturais e o canal da Barra. Casais que buscam uma experiência diferente podem encontrar inspiração em opções de pacotes de hospedagem para casais em Florianópolis que incluem programas de ecoturismo.
As tartarugas marinhas estão em risco de extinção no Brasil?
Todas as cinco espécies que ocorrem no Brasil constam nas listas de espécies ameaçadas. No entanto, o trabalho do TAMAR produziu resultados concretos: a tartaruga-cabeçuda, por exemplo, apresentou recuperação populacional documentada no litoral do Espírito Santo após décadas de proteção. A situação ainda é crítica, especialmente para espécies como a tartaruga-de-couro e a tartaruga-de-pente, mas a tendência geral nas áreas monitoradas é de estabilização ou crescimento populacional — um resultado diretamente atribuído às décadas de conservação ativa promovidas pelo projeto.